{"id":273,"date":"2022-05-11T23:54:46","date_gmt":"2022-05-11T23:54:46","guid":{"rendered":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/?p=273"},"modified":"2022-05-11T23:56:45","modified_gmt":"2022-05-11T23:56:45","slug":"racismo-no-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/racismo-no-futebol\/","title":{"rendered":"STAND UP \u2013 SPEAK UP: Alternativas para enfrentar o racismo no futebol"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 1894, Charles Miller foi o respons\u00e1vel por disseminar o futebol no Brasil. Nesse per\u00edodo, somente participavam das partidas pessoas da alta sociedade, sendo proibida a participa\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios e pessoas economicamente vulner\u00e1veis. Os negros, mesmo com aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o em 1888, tamb\u00e9m n\u00e3o eram autorizados a participar dos jogos de futebol.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Com a populariza\u00e7\u00e3o do futebol no pa\u00eds, algumas equipes passaram a permitir que atletas negros integrassem suas equipes. Para participarem dos jogos, alguns jogadores aplicavam p\u00f3-de-arroz sobre os corpos (produto utilizado na \u00e9poca como p\u00f3s-barba), com o objetivo de camuflar a cor de sua pele.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Se por um lado, o futebol evoluiu enquanto modalidade esportiva, por outro, seus dirigentes, torcedores e outras pessoas envolvidas no ramo seguem reproduzindo o racismo enquanto estrutura de opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Chuteiras leves e que se moldam aos p\u00e9s, bola com chip, uniformes dry-fit, tel\u00f5es em Led, ingressos vendidos pela internet, est\u00e1dios ultramodernos, VAR\u2026 Nada disso pode ser efetivamente comemorado e enaltecido enquanto ainda tivermos que nos deparar com manifesta\u00e7\u00f5es racistas no futebol.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Em 2019, diante de epis\u00f3dios repugnantes e ap\u00f3s consultar seis confedera\u00e7\u00f5es de futebol, a FIFA e outras entidades relacionadas ao desporto publicaram, no C\u00f3digo Disciplinar da Entidade, regras espec\u00edficas para enfrentar o racismo.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Instituiu o \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo do futebol que os \u00e1rbitros teriam o poder de suspender a partida, caso incidentes racistas fossem presenciados, sendo, inclusive, permitido atribuir-se a derrota ao time infrator. Contudo, tal medida s\u00f3 seria colocada em pr\u00e1tica ap\u00f3s cumpridas algumas etapas, tais como: solicitar an\u00fancio p\u00fablico para exigir que dito comportamento cesse, suspender o jogo at\u00e9 que essas atitudes parem e, finalmente, encerrar a partida definitivamente.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Recentemente ou de forma muito mais acentuada, estamos presenciando demonstra\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas de racismo, principalmente nos pa\u00edses sul-americanos, o que \u00e9 injustific\u00e1vel e inaceit\u00e1vel. As puni\u00e7\u00f5es s\u00e3o multas em valores irrelevantes e, quando identificado o infrator, a penalidade aplicada \u00e9 a proibi\u00e7\u00e3o em comparecer aos est\u00e1dios de futebol &#8211; situa\u00e7\u00e3o que dificilmente ser\u00e1 fiscalizada pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos locais.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Nesses \u00faltimos 4 (quatro) anos, quantas manifesta\u00e7\u00f5es de racismo presenciamos nos est\u00e1dios? Quais medidas foram adotadas pela Confedera\u00e7\u00e3o Sul-Americana de Futebol (Conmebol) ou pela FIFA? Quantas partidas foram encerradas em raz\u00e3o de insultos racistas que ecoavam pelos est\u00e1dios?<\/p>\n\n\n\n<p><br> Nas recentes semanas, as sugest\u00f5es de puni\u00e7\u00f5es para casos de racismo no futebol tem sido objeto de discuss\u00e3o, tais como advert\u00eancia, perda de pontos e at\u00e9 desclassifica\u00e7\u00e3o do time da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br> O atual presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol, Ednaldo Rodrigues enviar\u00e1 of\u00edcio a Conmebol, solicitando penas mais duras para os casos de racismo, propondo a perda \u201cde pelo menos um ponto\u201d dos times cujos torcedores estiverem envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Uma compara\u00e7\u00e3o simples e que evidencia a total inconsist\u00eancia e inadequa\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o da Conmebol \u00e9 que, recentemente, apenas enviou uma \u201ccarta de rep\u00fadio\u201d aos clubes envolvidos em casos de racismo e, por outro lado, aplicou uma multa de R$ 40 mil reais ao clube Atl\u00e9tico Mineiro por descumprir um protocolo de in\u00edcio de partida, simplesmente pelo fato de n\u00e3o adentrar ao campo de forma sincronizada com a equipe advers\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><br> De todo modo, questionamos: seria poss\u00edvel punir um clube de futebol por manifesta\u00e7\u00f5es racistas promovidas por terceiros, ainda que seus torcedores? \u00c9 poss\u00edvel atribuir responsabilidade ao clube por uma falta que n\u00e3o cometeu diretamente?<\/p>\n\n\n\n<p><br> A discuss\u00e3o \u00e9 um tanto pol\u00eamica e gera in\u00fameras reflex\u00f5es por parte dos amantes do futebol. Incontest\u00e1vel \u00e9 que o futebol \u00e9 um espelho da sociedade e reflete suas din\u00e2micas de opress\u00e3o. Assim, precisamos combater de forma veemente o racismo, n\u00e3o apenas no desporto, mas entendendo que se trata de uma estrutura que, h\u00e1 s\u00e9culos, reproduz desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Uma medida razo\u00e1vel e que poderia ser implementada seria a puni\u00e7\u00e3o dos torcedores, pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos dos respectivos pa\u00edses, com presta\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria de servi\u00e7os \u00e0 comunidade, al\u00e9m de penalidades como a proibi\u00e7\u00e3o de adentrar aos est\u00e1dios por um per\u00edodo ou de forma permanente.<\/p>\n\n\n\n<p><br> N\u00e3o sendo identificado o torcedor ou sendo ele acobertado pela torcida, deveria o clube disputar o resto da temporada de port\u00f5es fechados. Essa medida atinge diretamente uma fonte de receita importante do clube, que deixaria de arrecadar valores com a venda de ingressos, e a torcida, que ficaria privada de assistir o time nos est\u00e1dios. Al\u00e9m disso, podem ser consideradas como medidas punitivas a perda de pontos e at\u00e9 exclus\u00e3o do campeonato.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Ainda que n\u00e3o sejam os infratores diretos, os clubes t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de adotar medidas para combater os casos de racismo no futebol. As san\u00e7\u00f5es aplicadas aos times acabam gerando uma corresponsabiliza\u00e7\u00e3o, que possui efeitos de transforma\u00e7\u00e3o a longo prazo, tanto na ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias antirracistas pelos clubes, quanto pela fiscaliza\u00e7\u00e3o entre os pr\u00f3prios torcedores.<\/p>\n\n\n\n<p><br> Durante a elabora\u00e7\u00e3o deste artigo, que se prop\u00f5e justamente refletir sobre puni\u00e7\u00f5es mais r\u00edgidas para os casos de racismo no futebol, a Conmebol divulgou, em 09 de maio de 2022, que modificar\u00e1 seu C\u00f3digo Disciplinar, para majorar as multas impostas aos clubes, de R$ 30 mil d\u00f3lares para R$ 100 mil d\u00f3lares. Al\u00e9m disso, o clube cujo torcedor cometer atos racistas, poder\u00e1 disputar as partidas de port\u00f5es parcialmente ou totalmente fechados.<\/p>\n\n\n\n<p><br> N\u00e3o \u00e9 o suficiente, mas j\u00e1 \u00e9 um come\u00e7o. Sigamos atentos e vigilantes na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade livre do racismo!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"> Por:\u00a0<strong>Luiz Ot\u00e1vio de Almeida Lima e Silva<\/strong>\u00a0\u2013 OAB\/SP 265.396<br>Bresciani e Almeida Sociedade de Advogados<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1894, Charles Miller foi o respons\u00e1vel por disseminar o futebol no Brasil. Nesse per\u00edodo, somente participavam das partidas pessoas da alta sociedade, sendo proibida&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":274,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[4,41],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273"}],"collection":[{"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=273"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":276,"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273\/revisions\/276"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}