{"id":368,"date":"2024-09-10T12:47:24","date_gmt":"2024-09-10T12:47:24","guid":{"rendered":"https:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/?p=368"},"modified":"2024-09-10T12:58:49","modified_gmt":"2024-09-10T12:58:49","slug":"o-impacto-da-assiduidade-dos-trabalhadores-portuarios-no-ambiente-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/o-impacto-da-assiduidade-dos-trabalhadores-portuarios-no-ambiente-de-trabalho\/","title":{"rendered":"O Impacto da assiduidade dos trabalhadores portu\u00e1rios no ambiente de trabalho"},"content":{"rendered":"\n<p>O ambiente de trabalho portu\u00e1rio \u00e9 essencial para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social de uma na\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A assiduidade dos trabalhadores portu\u00e1rios, ou seja, a presen\u00e7a constante e pontual de um trabalhador no seu local de trabalho, cumprindo suas obriga\u00e7\u00f5es e hor\u00e1rios estabelecidos, especialmente dos vinculados ao OGMO (\u00d3rg\u00e3o Gestor de M\u00e3o de Obra), desempenha um papel crucial na efici\u00eancia operacional e na seguran\u00e7a das opera\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Este artigo analisa os reflexos da assiduidade no ambiente de trabalho portu\u00e1rio, destacando sua import\u00e2ncia para a produtividade, a qualidade do servi\u00e7o e a competitividade dos portos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Hist\u00f3rico e evolu\u00e7\u00e3o do trabalho portu\u00e1rio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A condi\u00e7\u00e3o do trabalho portu\u00e1rio no Brasil n\u00e3o teve um in\u00edcio diferente das demais localidades. No in\u00edcio, os trabalhos de estivagem e arruma\u00e7\u00e3o de cargas, eram realizados pelos \u00edndios e pelos escravos. O final da escravid\u00e3o, n\u00e3o trouxe muitas mudan\u00e7as, pois aqueles rec\u00e9m libertos, n\u00e3o conseguiam novos empregos e por j\u00e1 terem habilidades na estivagem, por ali permaneciam, tendo, atrav\u00e9s desse meio seu ingresso na vida social.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho portu\u00e1rio avulso, teve sua primeira previs\u00e3o com o Decreto-Lei 5.452 de 1943, que ganhou complemento em 1965, com a Lei n. 4860, que regulamentava o regime de trabalho nos portos organizados e com o Decreto Lei n.\u00ba 3, de 27.01.1966, a qual destacamos as seguintes caracter\u00edsticas a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos servi\u00e7os de estiva, os sindicatos obreiros desfrutavam de um privil\u00e9gio especial, podendo indicar com exclusividade os trabalhadores que comporiam as equipes de trabalho. Apenas os trabalhadores matriculados na Delegacia do Trabalho Mar\u00edtimo ou na Capitania dos Portos tinham a oportunidade de obter postos de trabalho, e os sindicalizados detinham uma prefer\u00eancia legal, conforme previsto no art. 257 da CLT.<\/p>\n\n\n\n<p>As atividades de capatazia inclu\u00edam trabalho no cais, o armazenamento e carregamento de mercadorias, eram atribu\u00eddas \u00e0s autoridades portu\u00e1rias, que eram vinculadas a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Neste momento, surge uma divis\u00e3o de responsabilidades, sendo da Administra\u00e7\u00e3o, desde o transporte da mercadoria do cais ao interior da embarca\u00e7\u00e3o e do armador ap\u00f3s o embarque.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei 9.719\/98, estendeu aos operadores portu\u00e1rios a obriga\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o do meio ambiente do trabalho, al\u00e9m de normatizar a responsabilidade solid\u00e1ria dos operadores com os OGMOS. J\u00e1, em 2008, houve a edi\u00e7\u00e3o do Decreto n.\u00ba 6.620, que versava sobre pol\u00edticas e diretrizes para o desenvolvimento e fomento dos portos e terminais portu\u00e1rios de compet\u00eancia da Secretaria Especial de Portos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2012, a Lei 8.630\/1993 \u00e9 revogada pela Medida Provis\u00f3ria n.\u00ba595, que em 2013 \u00e9 convertida na Lei 12.815, a qual trouxe avan\u00e7os trabalhistas significativos, como previs\u00e3o de renda m\u00ednima ao trabalhador portu\u00e1rio avulso, exig\u00eancia de que a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores por prazo indeterminado, pelo operador portu\u00e1rio, fossem selecionados aqueles registrados no OGMO e garantia de benef\u00edcio assistencial mensal, de at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo para aqueles com mais de 60 anos, n\u00e3o aposent\u00e1veis e que n\u00e3o possu\u00edam meios de subsistir.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Assiduidade e suas implica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A assiduidade dos trabalhadores portu\u00e1rios \u00e9 essencial para manter a efici\u00eancia e a seguran\u00e7a nas opera\u00e7\u00f5es. A falta de assiduidade pode levar a uma s\u00e9rie de problemas, incluindo:<\/p>\n\n\n\n<ul>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia operacional &#8211; a aus\u00eancia de trabalhadores pode atrasar as opera\u00e7\u00f5es e aumentar os custos.<\/li>\n\n\n\n<li>Aumento dos acidentes de trabalho &#8211; a sobrecarga de trabalho para os presentes pode elevar o risco de acidentes.<\/li>\n\n\n\n<li>Impacto no clima organizacional &#8211; a irregularidade na presen\u00e7a dos trabalhadores pode afetar negativamente o ambiente de trabalho e a moral da equipe.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Problemas comuns<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ul>\n<li>Falta de normas coletivas &#8211; a aus\u00eancia de regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica pode levar \u00e0 inconsist\u00eancia na aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de assiduidade.<\/li>\n\n\n\n<li>Desmotiva\u00e7\u00e3o dos trabalhadores &#8211; a falta de incentivos pode resultar em baixa frequ\u00eancia.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Boas pr\u00e1ticas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ul>\n<li>Implementa\u00e7\u00e3o de normas internas &#8211; o OGMO pode estabelecer diretrizes claras para a assiduidade, mesmo na aus\u00eancia de normas coletivas.<\/li>\n\n\n\n<li>Programas de incentivo &#8211; oferecer benef\u00edcios para trabalhadores ass\u00edduos pode melhorar a frequ\u00eancia.<\/li>\n\n\n\n<li>Treinamento e capacita\u00e7\u00e3o &#8211; investir na forma\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da assiduidade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Legisla\u00e7\u00e3o Atual<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A nova Lei dos Portos (Lei n.\u00ba 12.815\/2013) prioriza as negocia\u00e7\u00f5es coletivas para definir as rela\u00e7\u00f5es de trabalho entre os trabalhadores portu\u00e1rios avulsos e os operadores portu\u00e1rios. No entanto, n\u00e3o aborda diretamente a quest\u00e3o da assiduidade, deixando espa\u00e7o para que o OGMO estabele\u00e7a suas pr\u00f3prias diretrizes. A responsabilidade solid\u00e1ria dos operadores portu\u00e1rios com os OGMO\u2019s, conforme estabelecido pela Lei 9.719\/98, tamb\u00e9m \u00e9 um ponto relevante para garantir a fiscaliza\u00e7\u00e3o do meio ambiente de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Casos pr\u00e1ticos e solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ul>\n<li>Problema: baixa frequ\u00eancia de trabalhadores, resultando em sobrecarga de trabalho e aumento do risco de acidentes.<\/li>\n\n\n\n<li>Solu\u00e7\u00e3o: implementa\u00e7\u00e3o de programas de incentivo para trabalhadores ass\u00edduos, como b\u00f4nus e reconhecimento p\u00fablico.<\/li>\n\n\n\n<li>Problema: falta de regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre assiduidade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Solu\u00e7\u00e3o: estabelecimento de normas internas pelo OGMO, com base em boas pr\u00e1ticas de gest\u00e3o e conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sugest\u00f5es de boas pr\u00e1ticas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ul>\n<li>Monitoramento cont\u00ednuo &#8211; utilizar sistemas de monitoramento para acompanhar a frequ\u00eancia dos trabalhadores e identificar padr\u00f5es de aus\u00eancia.<\/li>\n\n\n\n<li>Feedback regular &#8211; realizar reuni\u00f5es peri\u00f3dicas para discutir a import\u00e2ncia da assiduidade e fornecer feedback construtivo aos trabalhadores.<\/li>\n\n\n\n<li>Ambiente de trabalho saud\u00e1vel &#8211; promover um ambiente de trabalho seguro e saud\u00e1vel, reduzindo os fatores que contribuem para a aus\u00eancia dos trabalhadores.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A assiduidade dos trabalhadores portu\u00e1rios \u00e9 vital para garantir um ambiente de trabalho seguro e eficiente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas que adotam boas pr\u00e1ticas de gest\u00e3o e conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o vigente tendem a obter melhores resultados operacionais e a reduzir riscos legais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o de normas internas, programas de incentivo e treinamento cont\u00ednuo s\u00e3o estrat\u00e9gias eficazes para melhorar a assiduidade e promover um ambiente de trabalho mais produtivo e saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autor:&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/tarc%C3%ADsio-bresciani\/\">Tarc\u00edsio Bresciani&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Advogado trabalhista e desportivo. Bacharel em Direito pela Universidade Cat\u00f3lica de Santos, P\u00f3s Graduado em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Anhanguera, P\u00f3s Graduado em Direito Desportivo pelo Instituto IberoAmerico Derecho Deportivo IIDD, P\u00f3s Graduado em Direito do Trabalho Mar\u00edtimo e Portu\u00e1rio, Membro, Membro do N\u00facleo de Pesquisa da USP O trabalho al\u00e9m do direito do trabalho, e Membro da Academia Nacional de Direito Desportivo Jovem (ANDDJ). Atua na \u00e1rea contenciosa estrat\u00e9gica e assessoria consultiva trabalhista e desportiva. inscrito na OAB\/SP 277.980<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ambiente de trabalho portu\u00e1rio \u00e9 essencial para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social de uma na\u00e7\u00e3o.&nbsp; A assiduidade dos trabalhadores portu\u00e1rios, ou seja, a presen\u00e7a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":369,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[64,44,63,31,21],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368"}],"collection":[{"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=368"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":371,"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/368\/revisions\/371"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/369"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/bresciani-almeida.com.br\/artigos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}